Eu não sei como o mundo parou onde está, não sei analisar os novos problemas comportamentais e não sou inteligente a ponto de me propor a entender os diversos motivos que impulsionam todo o tipo de coisa errada pelo mundo, até porque, o errado hoje também se tornou deveras subjetivo, talvez até demais. Eu não sei as dimensões do limite, não sei até que ponto parar é privar, desconfio até de que isso esteja ligado a uma escolha muito pessoal mesmo e que a problemática more justamente aí. Ou talvez eu esteja vendo demais, tenho aprendido demais. Hoje eu tenho um certo orgulho de dizer do meu respeito pelo sentimento alheio, embora tenha me custado (e ainda vai me custar) muitas noites sem dormir, perdida nos “e se” que pretendem atitudes mais justas, já que esses tempos tem sido tão difíceis. E eu me pergunto se já não estamos cínicos demais, já que a vida exige que a gente cuide somente dos nossos caminhos sem olhar tanto para os lados, por que o tempo não para e temos que produzir.
Eu tento entender sem julgar demais toda essa intolerância mascarada de verdades que insistimos em sobrepor à razão alheia e cuspir certezas por aí, já que de intolerante bastava quem eu era, ha alguns anos atrás (e talvez tenha sobrado uma ponta dessa intolerância ainda, sou humana, é o que dizem por aí).
E eu também me questiono se há de chegar o tempo em que cada um será colocado à prova como eu também estou sendo (todo mundo cedo ou tarde é, sem pedantismos baratos, por favor), e se, com isso, irão aprender a ampliar a visão do outro apesar de tanta dor, aquela maldita dor de não poder mudar aquilo que você vê com tanta clareza, por simplesmente não depender apenas de você. Eu penso se, por mais que a gente sinta lá no fundo o quanto uma situação é injusta, existe mais coragem dentro da gente de não julgar os motivos alheios com mais dureza do que nós mesmos poderíamos suportar, se fosse o contrário. Porque todo mundo tem teto de vidro, porque ninguém está pronto para a fragilidade da fraqueza humana, porque ver, enxergar o outro é uma tarefa árdua de verdade e exige um olhar profundo para as feridas que evitamos lamber, até mesmo por fingir que elas simplesmente não existem.
Eu não tenho ponto pra chegar quando escrevo isso. Seria pretensão achar que tenho algo para ensinar, talvez tenha, mas não tem nada a ver com isso. É só que às vezes eu me encho de vontade de que você, eu e todo o resto aprenda a respeitar, pelo menos um poquinho, todo o inteiro que uma pessoa é e pode ser, mesmo que não seja do interesse ou vontade de ninguém entender o que nos move, o que nos dói e o que nos faz sorrir enfim. Eu só sinto falta de quem sente, e entende que do lado, o outro sente também.
